UMA VISÃO GERAL SOBRE O CONTEÚDO DO LIVRO
Trata-se de uma síntese de ordem prática de conhecimentos
administrativos para o pessoal de supervisão e gerência de pequenas e médias
empresas.
Princípios e recomendações para uma boa gestão
empresarial, úteis tanto para enfoque das unidades constitutivas do
empreendimento, quanto para a administração geral da empresa. Visão geral da
administração, racionalização, recursos humanos, criatividade, objetivos,
função comunitária.
1-
INTRODUÇÃO – UMA SÍNTESE DESTE CURSO
·
O EMPRESÁRIO, SUA MISSÃO E SUAS LUTAS
O Ângulo através do qual eu quero
abordar a empresa neste trabalho é o sociológico. Minha visão é que, infelizmente, ainda existe
um enorme preconceito em relação aos empresários. Muita gente da base da pirâmide
social os vê sempre como seres privilegiados, gananciosos e aproveitadores. No
Brasil, isso deve ter recebido uma grande influência do tempo dos “coronéis”,
senhores dos escravos, grandes proprietários rurais, e dos grandes comerciantes
que emigraram para o Brasil, vindos da Europa, fugindo dos conflitos mundiais e
vendo em nossa terra grandes oportunidades de expansão dos seus negócios.
Também há uma certa influência de doutrinas de esquerda extremista
que os encara como elite exploradora dos menos favorecidos, protegidos de
governos de direita.
E claro que isso não é unânime nem tão intenso. Mas que se
nota esse preconceito, ah, se nota, sim. Basta conversar com as pessoas mais
simples.
*
***
Vamos ver isso agora por um outro ângulo.
EMPRESÁRIO, UM SERVIDOR DA SOCIEDADE
O empresário é, em princípio, um servidor da Sociedade. É ele
quem ajuda a resolver sérios problemas de distribuição de alimentos, utilidades
e outros bens, organizando instituições
para solucionar o atendimento à população movimentando grandes quantidades. Para
essa organização é preciso capital, organização e espírito empreendedor.
Em função do seu trabalho, o empresário recolhe impostos que
permitem que o Estado ofereça mais amplos benefícios ao povo. Oferece empregos.
Quando aparece um empresário de transporte numa região
afastada dos grandes centros, a população vê isso com bons olhos, pois a sua
existência passará a facilitar a vida de todos.
O mesmo acontece quando surge um comércio de itens
alimentícios, uma padaria, uma loja de produtos agropecuários...
Uma empresa sempre ajuda a resolver problemas que angustiam a comunidade, porque individualmente a solução fica difícil
para todos.
Escolas, fábricas, comércio, tudo que se distribui em grande escala, comprando
de lugares distantes e levando para lugares afastados é um benefício comunitário.
“Vai abrir uma loja! Vai abrir um supermercado! Vai abrir um
comércio de Materiais de Construção! Vai ser melhor para nós.” A comunidade
reconhece isso.
Então porque o preconceito?
Não dizem que eles só pensam em lucros e exploram os empregados, enriquecendo
à custa do povo? Basta pensar um pouco para ver que isso não corresponde à
verdade.
O empresário precisa empregar capital, pagar seus
custos. O seu salário é o seu
lucro, que é a remuneração pelos serviços que ele presta
à comunidade, mas isso depende do sucesso do seu empreendimento.
Se o lucro que recebe
é exagerado ou não, é uma questão ética, não de direito. Não há dúvidas que faz
jus a ele.
O MARKETING E A SOCIEDADE
O marketing, definido como
“Marketing é o conjunto de atividades humanas que tem por objetivo facilitar, realizar e completar trocas.” (Philip Kotler),
passa por uma
transformação. Hoje é preciso pensar em ligações profundas. O consumidor, o
cliente precisa sentir que o empresário, o produto ou a marca prestam um
serviço, resolvem problemas, trazem soluções. Isso é que conquista a sua
preferência e leva à fidelização. E, por paradoxal que seja, essa
nova tendência é que está trazendo justiça ao conceito do papel do empresário
na sociedade.
Mas ele tem de acertar, para merecer os novos conceitos. Se o
empresário fracassa, é acusado de incompetência.
Imaginemos uma cidadezinha do interior que recebeu um
comércio de materiais para construção, atendendo importante necessidade local. O
comerciante percebeu a necessidade da comunidade, mobilizou
capital, recursos materiais, competência, gente,
e montou o negócio.
Se não houver concorrência ele poderá ficar assim por muitos
e muitos anos. Enquanto escrevo estou me
lembrando de vários estabelecimentos que existiam na minha cidade natal ou na
cidade onde moro agora, que tèm a mesma fachada, o mesmo “lay-out”, desde
dezenas de anos atrás. Mas estão
sobrevivendo. Precisa de parafuso? Vá na
Casa dos Parafusos. Material para sua
fazenda? Vá na Agro Pecuária são Francisco.
Alguns empresários se acomodam e ficam assim até envelhecerem
e passarem o negócio para seus descendentes ou serem engolidos por
concorrentes, que não se desgrudam de seus celulares e têm computadores em suas
lojas e em suas casas.
Outros até tentam se mexer quando começam a perceber a
concorrência. Mas não conseguem porque não sabem o que fazer, estão atrasados, não se treinaram, não se adaptaram, não evoluíram. Alguns até tentam, mas parecem condenados a viver
a Fábula de Sísifo. (Ver apêndice)
O EMPRESÁRIO E A ADMINISTRAÇÃO
O que eu desejo com este livro é alertar gerentes e administradores que eles podem ser Sisifos
modernos, tentando progredir, levando pedras montanha acima, mas fracassando quando parece que chegaram.
O que lhes falta? Melhores conhecimentos de administração.
Então, todo empresário deveria ser formado em administração
de empresas? Não. O conhecimento de administração é implícito e intuitivo.
Pode ser aprendido até pela sua lógica!
(ou você acha que todo empresário de sucesso saiu da Universidade?).
Aliás, surge um novo paradoxo, uma nova incoerência. Há quem
pense que os conhecimentos sobre administração e gerência são inúteis e
ultrapassados, pois tudo que se quer saber pode-se acessar com uma busca na
Internet. Ledo (e digital) engano. Além da péssima qualidade de algumas
informações, com total desprezo pela didática e pela técnica, quem garante a
autoridade dessa informação? Há – eu fico horrorizado! – quem ache que por usar
uma linguagem “moderna”, tipo mais jovem, já estão passando, só por isso, só
por parecerem modernos, os conhecimentos que os empresários estão precisando.
Vamos recordar uma coisa. Princípios são princípios. Os
verdadeiros princípios são eternos, são desde sempre e não há indícios de que
vão mudar em futuro próximo só porque o autor de um vídeo chama você de “cara”
ao invés de ”senhor”, ou se refere a uma sala de aula como “galera”.
Não concordamos em que a roupa diferenciada não modifica os
princípios que regem o funcionamento do organismo do corpo?
Por ter percebido isso (do meu ponto de vista), resolvi
resumir tudo que aprendi de princípios
com meu auto didatismo e minha experiência PROFISSIONAL diversificada.
Eu tenho a impressão de que não há no mercado editorial um
resumo tão abrangente e tão prático, destinado a estudantes, empreendedores
Startups e gerentes de vários níveis intermediários nas pequenas e médias
empresas
Assim, ofereço à comunidade empresarial e aos estudantes e
interessados, um livro que contém o programa que considero adequado e um
sincero desejo de compartilhar meus estudos e experiências com as pessoas que
labutam nas pequenas e médias empresas.
OS CONHECIMENTOS ÚTEIS
Ao longo do nosso curso, vamos aprender ou rever o que é a administração,
sua origem, conceitos e funções. Veremos as diferenças que há entre
administração e gerência, as características de um bom gerente, os
conhecimentos que ele deve ter, as habilidades que ele deve dominar para
sair-se bem em sua missão fundamental, que é resolver problemas e conseguir
resultados.
Os alunos perceberão a importância dos conhecimentos de
Matemática (na gestão dos negócios é preciso fazer constantemente cálculos de
custos, de juros, de índices, de estatísticas) e da Língua Portuguesa (você
precisa expressar-se bem com o seu pessoal, pessoalmente ou por escrito e
precisa se comunicar adequadamente com a sua comunidade: clientes,
fornecedores, órgãos públicos, fornecedores etc.).
Um administrador ou gerente precisa estar afinado com os
donos do negócio. A empresa em si é como uma entidade viva que recebe coisas,
processa coisas e entrega coisas a um conjunto de pessoas que precisam dessas
coisas ou se agradam com elas.
Para conseguir esses resultados, o Gerente vai precisar
utilizar os recursos físicos da empresa: instalações, máquinas e equipamentos,
ferramentas e instrumentos diversos.
PESSOAS E RESULTADOS
Mas uma fábrica sem gente é um verdadeiro cemitério cheirando
a aço e óleo lubrificante. São as pessoas que fazem os produtos, que
transformam matérias primas em coisas úteis, que dão vida à Fábrica ou ao
estabelecimento.
Precisamos de ótimos recursos físicos. Precisamos de
excelentes Recursos Humanos
Mas a empresa é criada para produzir resultados.
Que resultados são esses? “Dinheiro, lucro!”, gritarão
alguns, supondo-se mensageiros do óbvio. Mas quem pensar assim estará enganado.
A empresa existe para prestar serviços à Sociedade, que, em última
instância, avalia se a empresa está fazendo isso a contento ou não. A Sociedade
aprova ou desaprova o desempenho empresarial. A empresa conquistará – ou
manterá – seus clientes. Os Clientes se transformam em amigos e colaboradores
da empresa, esta passa a ser algo que integra a vida das pessoas, fazendo parte
da vida delas, do seu jeito de ser, até da definição das características de sua
personalidade.
Por essa razão, o lucro é um prêmio, é a remuneração do bom
trabalho da empresa. Ela tem direito a isso, na medida em que se sai bem no
papel de instituição que serve à comunidade onde está inserida.
O GERENTE E SEUS PROBLEMAS
Mas as coisas não são fáceis. Nada cai do céu. Surgem
problemas todos os dias. Mal chega ao estabelecimento, o administrador depara
com problemas a resolver; quando não, no decurso do dia vão surgindo entraves,
dificuldades processuais, imprevistos, intercorrências, influências e a tudo
têm-se que dar solução e prover a continuação da atividade, sem solução de
continuidade.
O Gerente descobre que muitas vezes precisa reunir seu
pessoal mais próximo para encontrar as soluções que dependem de criatividade,
engenhosidade, muitas vezes frutos da combinação dos talentos e experiências.
O Gerente descobre que as pessoas podem ter ou não boa
vontade de fazer as coisas. Problemas no processo do trabalho? Eles podem
sentir que é com eles ou não, dependendo do grau de envolvimento que eles
dedicam à empresa onde trabalham.
Então, o Gerente descobre que precisa envolvê-los,
motivá-los, conquistar o seu interesse pelo sucesso da empresa. Constata a
importância de saber recrutar, selecionar seus colaboradores. Logo perceberá a
importância do treinamento e do desenvolvimento de pessoal. Os funcionários
precisam ser remunerados com justiça e
inteligência, sem preconceitos ou tabus. Os colaboradores devem formar uma
comunidade bem resolvida dentro da empresa.
GESTÃO DE RECURSOS FISICOS
Mas, e as máquinas?
Elas quebram, enguiçam, apresentam defeitos de funcionamento. É preciso
corrigir a tempo e a hora, para não perder produção ou qualidade. O Gerente
perceberá a importância de adotar critérios de manutenção preventiva, para
evitar problemas de funcionamento.
Então, tá! Fica tudo assim, as coisas vão correndo...” Não, o
gerente descobrirá que tudo pode ser aperfeiçoado. O mundo está em constante
transformação e aperfeiçoamento, desde a Idade da Pedra.
SIMPLIFICAÇÃO E RACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO
Podemos melhorar a empresa, o seu desempenho, tanto a partir
de problemas que surgem no dia a dia, quanto a
partir de reflexões sobre melhorias de quantidade ou obtenção de melhor
qualidade.
“Quantas unidades produzimos? Poderíamos produzir mais, sem
perda de qualidade?”.
“Será que seria possível melhorar o “design” do nosso
produto?”. “Seria possível facilitar o manuseio da ferramenta que produzimos?”
Ah, acidentes ocorrem, ferindo pessoas e prejudicando
máquinas; como fazer para evitá-los? O Gerente se convencerá da importância de
um programa de prevenção de acidentes.
E os custos? Poderiam ser diminuídos para aumentar o lucro ou
baixar o preço para o consumidor final? Poderíamos criar uma nova versão, de
melhor qualidade, mais cara, porém atendendo mais e melhor o consumidor?
Sim, sim, amigos. Há muito o que fazer numa empresa. Há muito
o que gerenciar.
O DIA-A-DIA DO BOM GERENTE
O bom gerente amanhece com o seguinte pensamento na cabeça:
“Que farei hoje para eliminar ou reduzir problemas e melhorar o desempenho da
empresa ou seção pela qual sou responsável?”.
E o dinheiro? Ter dinheiro não é pecado. O problema é o seu
controle e a boa aplicação. Dinheiro parado é “crime” ou incompetência. O dinheiro deve ser transformado em bens,
instalações e equipamentos que gerem empregos, novos produtos ou serviços e ...mais
dinheiro. Se você paga suas dívidas e prestações corretamente, remunera adequadamente
e com justiça o pessoal que trabalha com você, não tem porque se envergonhar de
ter riquezas. Só não deve deixar o dinheiro parado, não é isso que a comunidade
espera, e é burrice.
A ÉTICA E AS RELAÇÕES COM A SOCIEDADE
Algumas palavras a mais sobre ética e relações com a
Sociedade.
Toda empesa tem que ter o seu próprio código de ética. Regras
para não prejudicar os outros, não interferir no meio ambiente, não contaminar
áreas ou fontes, respeitar a confiança que os usuários dedicam à sua empresa, que
é parte dela.
Você abre uma lata de conserva alimentícia; confia na
sanidade do seu conteúdo? O material que você adquiriu é mesmo feito com as
matérias primas declaradas? Você não corre riscos com o uso de tal ou qual
equipamento ou ferramenta?
DESENVOLVIMENTO GERENCIAL
Pois é, um bom gerente ou administrador se preocupa com tudo
isso. Quem faz isso pode ser considerado um bom gerente. Por isso, vamos dar
uma passada na teoria acadêmica sobre Administração, nas recomendações da
experiência e praticar o primeiro mandamento do bom gerente:
Desenvolva-se a si mesmo. O resto vem por consequência. ´-E
isso que pretendemos oferecer com nosso curso.
“Digno é o trabalhador do seu salário”
Você que é Gerente, está
tentando ser digno do seu! Com certeza!
Gilberto Alves
(MÓDULO
1)R
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